As vezes eu acho que se e estivesse realmente sozinha eu aprenderia melhor a conviver com a solidão do que nessa falsa sensação de estar acompanhada... Deixa eu ver se me explico melhor. Estou com o Rodrigo e vim com ele para cá justamente pq não achava que daria conta de vir sozinha. Se fosse para ficar só, provavelmente eu ficaria em São Paulo, na mesma situação de antes. Claro que a experiência nova é enriquecedora e me faz crescer, e´principalmente me faz perceber que a partir de um ponto talvez eu já consiga dar alguns saltinhos sozinha, sem tanta proteção. Mas a questão não é essa. É que ao mesmo tempo que em um minuto ele me apoia e cuida de mim, no seguinte me larga sozinha e me joga na cara que eu deveria já estar andando com as próprias pernas.
Caralho, como eu queria isso!!!! Eu queria mesmo não depender de ninguém, andar com minhas pernas, não dar trabalho para ninguém e muito menos ser motivo do sofrimento alheio. Dá vontade de me isolar do mundo, falar que vou viver minha vida, resolver todos os problemas sozinha e que tudo vai dar certo no final. Sozinha! Mas não adianta... Já tentei outras vezes e eu sei que não funciona. Eu tenho que ser humilde e aceitar quem quer me ajudar. Mas será que devo ajudar quem vai me jogar na cara depois, quem se cansa disso? Isso não é amor... Sei lá. Eu sei que ele não entende e que é difícil. Mas aí é que eu acho que vem os reais sentimentos humanos... Não adianta falar que é bom dando esmola pra alguém que não interfere na sua vida.
Bah... Todo mundo erra. Eu já fui muito mesquinha tb com relação à minha mãe. Graças à Deus ela tinha outras saidas. Eu tb terei outras saídas. Cada um evolui ao seu tempo. Tenho que ter paciencia e esperar e fazer por onde encontrar a minha.
Escrito por I às 20h13
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Então, muito estranho... Eu quero muito ser uma pessoa boa e ter somente sentimentos bons, mas as vezes a mesquinhez vem meio que forte...
Ontem o Rodrigo tava doente. Ainda está... Aí tudo bem, eu levantei, fui na obra, voltei, fui na 2ª praia, vi as coisas lá da casa, quando voltei percebi que não tava nada bem. Desde que saí de casa de manhã queria ver se levava ele no médico e tal, mas ele não tava muito com vontade. Aí pedi emprestado um termometro, vi que ele tava com 38,5º fiquei preocupada, e eu tava tb com uma puta dor de cabeça. Meu, fui no médico (por causa dele, e não por minha), fui buscar remédio, fiquei cuidando e tal... Mas no fundo eu nem tinha todo o carinho em cuidar dele... Primeiro pq eu via que ele nem tava reconhecendo o meu esforço, depois pq eu lembrava de todas as vezes que eu fiquei mal e ele praticamente mandou eu me ferrar do tipo "levanta que vc não tem nada", ou então eu ir até o médico sozinha morrendo de dor, ou me deixar no médico com a mãe dele só pq "tinha" que dar tchau para os amigos... Sei lá... Eu sei que eu tenho que cuidar dele, isto é, do próximo, sem mágoas... Mas eu não consegui me doar 100%.
Aí só piorou quando ele à noite veio me dizer que me amava... E completou: eu seria burro de não gostar de quem cuida de mim. E ele já falou isso mil vezes... Não está comigo pq gosta de mim e sim pq eu cuido dele... Poxa, não é isso! Eu sou mais do que isso. Tem uma Inara inteira aqui dentro que ser descoberta e amada.
Além disso eu fiquei pensando... Eu tenho que aprender a fazer as coisas sozinhas sim, obvio. As pessoas não estarão para sempre ao meu lado. Mas se eu escolhi morar com alguém e compartilhar a minha vida é exatamente pq eu não quero ter que fazer tudo e pensar em tudo sozinha. Se fosse assim mais fácil seria morar só (e não ter tb que aguentar as chatices do outro). Eu quero tb aproveitar as partes boas dessa vida conjugal. Já pensei mil vezes então que é melhor morar junto com o meu amigo lindo que é gay (e é um super amigo!!!) e ter um vibrador! Acho que eu ficaria mais satisfeita! Sei lá, acho que eu estou apanhando muito nesse aprendizado...
Escrito por I às 09h26
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Engraçado que o jeito mais fácil de tornar um diário bem particular foi colocando ele na internet...
Aqui eu quero colocar meus sentimentos... Talvez algumas vezes simplemente desabafar, outras se possível refletir e chegar a conclusões ponderadas... Tantas coisas passam pela minha cabeça que eu não consigo captar e processar tudo. A terapia ajuda. Mas se eu não começar a organizar os dados talvez o valor seja pouco, ou menor. Quero melhorar o quanto antes. Na verdade quero ter plena consciente sobre minha consciencia, sobre minha psique.
Escrito por I às 18h25
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